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MEMORIAL

Irmã Valerie Ann Grigal


 26/10/1914     09/10/2014

Irmã  Valerie Ann Grigal

Nascimento: 26 de outubro de 1914  

Entrada na Comunidade: 08 de dezembro de 1936

Retorno ao Senhor: 09 de outubro de 2014, às  10h17min.

 

 

Para esta reflexão estamos citando extensivamente partes da encantadora autobiografia  de Irmã Valerie Ann, escrita em 1987, quando ela tinha 73 anos, autobiografia esta que nos ajuda a conhecê-la assim como a sua família. Para iniciar, ela escreveu: “Embora Grace Davisk e Anthony Grigal vivessem nas periferias das aldeias na Lituânia, eles nunca se encontraram. Migraram para a América e depois de serem devidamente apresentados, por fabricantes de fósforos, eles se casaram em Elizabeth, Nova Jersey. No início encontraram muitas dificuldades para se adaptarem aos novos costumes, mas logo, com a ajuda de parentes e novos amigos, a vida se tornou menos desafiadora . Anthony era um trabalhador e Grace  uma dona de casa bastante ocupada na criação de sete filhos. Ela  era também costureira e soube administrar a casa e ajudar a sustentar a sua numerosa família. Sete filhos nasceram. Grace era a mais velha.  Infelizmente  duas crianças morreram na primeira infância. Depois nasceram Valerie Ann, Anthony, Frank e Charles. Como filha do meio, quieta e tímida por natureza, eu era uma boa aluna e uma leitora ávida. Contribuí com estórias, poemas a artes para a sessão infantil do jornal local. Receber um cheque ou um presente como prêmio era sempre considerado como algo especial.

 

Sempre apreciei a companhia de meus irmãos menores, mas, na medida em que eles seguiam as regras que eu estabelecia. As regras eram: podiam brincar no parque de diversão e jogar na rua à noite. Não era permitido pular cercas e roubar maçãs dos vizinhos. Os vizinhos desencorajavam as tentativas dos meninos soltando um pastor alemão que ficava perto da cerca.

 

Frequentei a escola São Pedro e São Paulo em Elizabeth, Nova Jersey. As Irmãs da Caridade foram minhas professoras nos primeiros três anos e as Irmãs Franciscanas do 4º ao 8º ano. Foi-me dito que o ensino médio estava fora de cogitação, pois precisava ajudar em casa. A depressão foi um tempo de redução de salários para todos. No entanto, mais tarde obtive meu diploma com nota acima da média. Então fui matriculada na escola noturna, mas a doença me obrigou a desistir dos meus estudos assim como do trabalho de balconista. Depois de um período de recuperação de uma suspeita de tuberculose, pude retornar ao trabalho.

 

Antes de entrar na comunidade passei um tempo trabalhando como babá, morando na casa de uma família judia. Fazia as tarefas da casa e cuidava de duas crianças não muito mais novas do que eu. Senti que o trabalho era muito para mim  e comecei a sentir saudades de casa. Raramente falava com a dona da casa, mas quando chegou a época dos preparativos para a festa do Sabbath, ela me pediu para pegar uma vassoura e varrer um enorme porão carpetado que, para mim, parecia ter milhões de peças de mobiliário  antigo e empoeirado. Era demais para uma pessoa tão jovem!

 

Mais tarde fui contratada  no Woolworth´s onde era  responsável para interpretar músicas populares que podiam ser ouvidas na loja inteira. Meu chefe me chamava de Greta Garbo, o  que realmente me deixava embaraçada!

 

Pouco tempo depois contraí uma séria infecção pulmonar e me foram dados seis meses de vida.  Imediatamente fiz uma “pesquisa na minha alma”  e descobri que o Senhor tinha um convite para mim. Pedi  a cura ao poder de Deus e ofereci minha vida ao serviço de Deus.

 

Depois de recuperar-me, participei de um retiro na paróquia, durante o qual li um livro sobre a vida de Santa Teresa e fiquei fortemente atraída para a vida contemplativa. Mas devido às minhas obrigações em casa, guardei esse segredo comigo.

Um verão fui algumas vezes buscar hóstias para nossa paróquia no convento das Irmãs Beneditinas. Durante essas visitas fiquei interessada em me juntar à sua comunidade, mas não me animava a dar o primeiro passo. Uma de nossas irmãs, em conversa comigo, disse: “As Beneditinas são irlandesas. Elas não vão aceitar você! Junte-se às lituanas!” Não demorou muito e eu entrei. Estou feliz por ser uma Irmã Franciscana. Cada dia é uma revelação sobre o que eu ainda preciso fazer...  o que ainda preciso começar a fazer... para seguir Jesus tão de perto, como fez Francisco.

 

Meus vários ministérios variaram da Academia Militar São José para a Casa-Mãe, de Dubois para Moon Run e Maspeth. Mas a maior parte do meu tempo foi como nutricionista e trabalhos pastorais nos hospitais São José em Alton e Bom Samaritano em Monte Vernon, durante 35 anos. Retornei à Casa-Mãe em 1994 onde servi como Sacristã.”

 

Irmã Valerie Anne terminou sua história com seu ministério de sacristã; no entanto sabemos que esse não foi o fim de sua história. Quando a maioria das pessoas pensava em se aposentar, Irmã Valerie Ann, com 86 anos, mais uma vez se ofereceu para fazer parte de uma nova missão, em Danbury, Connecticut. Lá, a Irmã podia ser vista muitas vezes andando de uma casa de idosos para outra, servindo fielmente  os doentes, conversando com eles e dando-lhes comunhão. Era muito ativa na paróquia servindo como Ministra da Eucaristia e  Leitora. Também participava das reuniões do Conselho Paroquial e se tornou parte integral das atividades espirituais como das sociais. As Irmãs que conviveram com ela dizem que ela era uma doçura como parte da comunidade.

 

Irmã Valerie Ann retornou à Casa-Mãe em 2002, quando serviu diligente e atentamente como  costureira para a enfermaria e ainda fazia lindos artesanatos para o bazar.

 

Além de cumprir suas responsabilidades comunitárias, Irmã Valerie Ann se esforçava continuamente para o seu crescimento espiritual, educacional e cultural. Se ela dissesse que estava rezando por você, pode estar certa de que ela, sinceramente, mantinha você em suas orações.

 

Embora ela sempre sentisse que suas realizações eram poucas, temos que discordar desta sua avaliação. Lendo os relatórios sobre seus ministérios, notamos que ela influenciou com sucesso a vida das pessoas  nos lugares  por onde passou e sempre fez um trabalho magnífico em qualquer tarefa que assumia.

 

Terminamos com as palavras que Irmã Valerie Ann queria para o seu velório:

 

Sou feliz por ser uma Irmã Franciscana.

‘Cada dia é uma revelação sobre o que eu ainda preciso fazer...

o que ainda preciso começar a fazer...

para seguir Jesus tão de perto, como fez Francisco.’

 

 

Descanse em paz, querida, humilde e fiel Franciscana, Irmã Valerie Ann. Você, certamente, recebeu seu lugar no reino de seu Deus. E muito agradecemos por ter escrito uma autobiografia tão maravilhosa!

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