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NOTÍCIA
Francisco de Assis e o Natal em Greccio
11/12/2015

FRANCISCO DE ASSIS E O NATAL EM GRECCIO

 

Francisco nos ensinou a nascer para Deus, para o mundo, para as pessoas e para si mesmo. Tudo isto ele celebrou no Natal, que quis transformar numa experiência mística, num novo nascimento. Ele se fez menino com o Menino. O Espírito do Senhor faz acontecer nele seu "advento de doçura", no auge do rude inverno da natureza e da humanidade.

 

Estamos no fim do ano de 1223, numa pequena aldeia da montanha do Vale de Rieti, no centro da Itália. Esta aldeia chama-se Greccio. Ali o ano deve terminar como todos os outros: no frio, na distância isolada, na pobreza. A neve vai caindo e as atividades externas vão tornando-se raras. As mulheres fiam a lã, e os homens cortam e racham a lenha.

 

Diante da lareira, dentro de casa, contemplam o fogo que crepita. Eles, silenciosos, esperam. Esperam o quê? A primavera? O sol? Tudo isto e mais ainda: um pouco de calor humano, amizade, alegria. Sonham com um sopro de inocência e de ternura. Mas o que pode trazer-lhes, naquele momento a felicidade?

 

 

 

O presépio que fez no dia do Natal do Senhor.

Fonte Franciscanas (1 Celano 30, 84-86)

 

Sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os “passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina”. Estava sempre meditando em suas palavras e recordava seus atos com muita inteligência. Gostava tanto de lembrar a humildade de sua encarnação e o amor de sua paixão, que nem queria pensar em outras coisas.

Precisamos recordar com todo respeito e admiração o que fez no dia de Natal, no povoado de Greccio, três anos antes de sua gloriosa morte. Havia nesse lugar um homem chamado João, de boa fama e vida ainda melhor, a quem São Francisco tinha especial amizade porque, sendo muito nobre e honrado em sua terra, desprezava a nobreza humana para seguir a nobreza de espírito. Uns quinze dias antes do Natal, São Francisco mandou chamá-lo, como costumava, e disse: “Se você quiser que nós celebremos o Natal de Greccio, é bom começar a preparar diligentemente e desde já o que eu vou dizer. Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e ver com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro”. Ouvindo isso, o homem bom e fiel correu imediatamente e preparou o que o santo tinha dito, no lugar indicado.

 

Aproximou-se o dia da alegria e chegou o tempo da exultação. De muitos lugares foram chamados os irmãos: homens e mulheres, de acordo com suas posses, prepararam cheios de alegria tochas para iluminar a noite que tinha iluminado todos os dias e anos com sua brilhante estrela. Por fim, chegou o santo e, vendo tudo preparado, ficou satisfeito. Fizeram um presépio, trouxeram palha, um boi e um burro. Greccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade. A noite ficou iluminada como o dia e estava deliciosa para os homens e para os animais. O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em uma alegria toda nova. O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros. Os frades cantavam, dando  os  devidos  louvores  ao  Senhor  e  a  Noite  inteira  se  rejubilava.

 

O santo parou diante do presépio e suspirou, cheio de piedade e de alegria. A missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o sacerdote que a celebrou sentiu uma piedade que jamais experimentara até então.

 

O santo vestiu dalmática, porque era diácono, e cantou com voz sonora o santo Evangelho. De fato, era “uma voz forte, doce, clara e sonora”, convidando a todos às alegrias eternas. Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas maravilhosas sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequena cidade de Belém. Muitas vezes, quando queria chamar o Cristo de Jesus, chamava-o também com muito amor de “menino de Belém”, e pronunciava a palavra “Belém” como o balido de uma ovelha, enchendo a boca com a voz e mais ainda com a doce afeição. Também estalava a língua quando falava “menino de Belém” ou “Jesus”, saboreando a doçura dessas palavras. Multiplicaram-se nesse lugar os favores do todo-poderoso, e um homem de virtude teve uma visão admirável. Pareceu-lhe ver deitado no presépio um bebê dormindo, que acordou quando o santo chegou perto. E essa visão veio muito a propósito, porque o menino Jesus estava de fato dormindo no esquecimento de muitos corações, nos quais, por sua graça e por intermédio de São Francisco, ele ressuscitou e deixou a marca de sua lembrança. Quando terminou a vigília solene, todos voltaram contentes para casa.

 

Interiorização

 

Para Francisco, Deus é a encarnação da humildade, que se encontra até nas mínimas coisas: numa criança que nasce num estábulo, no meio da indigência, na falta de abrigo, na pobreza e na miséria, em todas as necessidades. Para ele, o Natal dá o impulso para superar todas as dificuldades em especial, tanto a pobreza como a fome, para constituir o princípio e o fundamento da verdadeira humanização das pessoas.

 

Natal a festa das festas, porque o Filho de Deus se revestiu da verdadeira carne da nossa frágil humanidade, para a nossa salvação; e por isso quer que seja celebrado com alegria e generosidade  para  com  os  pobres  e  mesmo  para  com  todos  os animais. Numa singular intuição une e funde o mistério da encarnação, na pobreza e humildade.

 

Assim é o presépio de Greccio, no Natal de 1223. Aquilo que Francisco quer ver e fazer entender é a pobreza-humilhação do Filho de Deus na sua vinda ao mundo, tal qual acontece diariamente na eucaristia. O binômio Belém-eucaristia é de tradição bem mais antiga, que vê o altar como presépio.

 

Francisco tem a originalidade de atualizá-lo em formas plásticas e simples, ao vivo. Seu desejo era o de fazer nascer Jesus menino e as suas virtudes nos corações de todos e o de fazer “ver” o momento da salvação no Natal-eucaristia.

 

O mérito de São Francisco não foi o de ter inventado uma cena que todos poderiam reproduzir, mas o de ter mostrado com que sentimentos de coração devemos nos acercar do Menino Jesus.

 

 

Para refletir:

 

1- Ver e fazer ver o Filho de Deus, nascendo ao mundo na humildade e na pobreza de um presépio entre animais; nada era mais importante para o futuro do mundo. Numa sociedade mercantil, onde o soberano era o dinheiro, o que podia ser mais útil do que fazer brilhar a gratuidade de um Deus?

 

2- Num mundo de clérigos ávidos de poder e honra, o que podia ser mais salutar do que lembrar a humildade de um Deus?

 

3- E num tempo de guerras, violências, Cruzadas... o que podia ser mais urgente, mais necessário do que fazer ver a doçura e a mansidão de um Deus?

 

4- O que nós podemos fazer, em nosso tempo, para que o mundo sinta a mansidão e a doçura de Deus em meio a tudo que a tecnologia nos proporciona?

 

 

FELIZ NATAL!

 

Dezembro - 2015


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