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Papa aos poloneses: gratidão aos agricultores, por não faltar o pão de cada dia

Leão XIV recordou a Festa da Colheita durante a Audiência Geral, agradeceu pelos frutos e pediu proteção às famílias e aos campos. Uma saudação dirigida aos fiéis da Polônia e a descendentes de todo o mundo que também comemoram a tradição nos seus países, como no Brasil, na Alemanha e na Romênia.

11.09.2026 | 4 minutos de leitura

Papa aos poloneses: gratidão aos agricultores, por não faltar o pão de cada dia

“Saúdo cordialmente os poloneses. Nestes dias, durante a Festa da Colheita, ao darmos graças pelos frutos da terra, louvamos o Criador com o salmista: 'A terra produziu o seu fruto; que Deus, o nosso Deus, nos abençoe'. Confiemos ao Senhor o trabalho dos agricultores, graças ao qual não nos falta o pão de cada dia. Que Maria, a mais bela entre as flores da terra, proteja as famílias e os campos de vocês! A todos, a minha bênção!”

 

O Papa Leão XIV, ao saudar os peregrinos poloneses na Audiência Geral desta quarta-feira (09/09), recordou de uma tradição perpetuada na Polônia e por seus descendentes ao redor do mundo, nesta época do ano, no hemisfério norte, em agradecimento à safra anual. Isso porque a Festa da Colheita (Dożynki) no Brasil, por exemplo, foi realizada no início do ano, como aconteceu na Colônia Murici, em São José dos Pinhais/PR: a comunidade de descendentes se organiza já há 38 anos para apresentar a produção agrícola local, além de ser uma forma de valorizar a cultura polonesa e unir as famílias. Segundo dados da prefeitura local, a programação da 38ª Festa da Colheita da Colônia Murici tradicionalmente conta com missa, desfile temático, almoço com comidas típicas polonesas, apresentações folclóricas e atração musical para homenagear os imigrantes que fundaram a comunidade.

 

Com coroas de flores para Jasna Góra

 

Na própria Polônia, nesta época de final de verão, são celebradas missas em todo o país e os agricultores levam os frutos do trabalho ao altar. Jasna Góra, por exemplo, continua sendo um dos locais mais importantes para essa festa. No último fim de semana, agricultores de várias regiões levaram coroas de flores representando as respectivas cidades.

 

"Viemos aqui para agradecer a Deus pela colheita deste ano", disse o bispo Krzysztof Nitkiewicz durante a Missa da Colheita. Ele destacou que as coroas de flores são um testemunho da fé e do trabalho de famílias inteiras que, ao colherem os frutos, cooperam com o Criador. O bispo também recordou que a terra "deve ser tratada com respeito, como uma mãe", disse ele, acrescentando que a natureza "constantemente nos lembra quem é o Criador e Senhor". Durante a Eucaristia, os anfitriões da festa da colheita ofereceram um pão simbólico como presente.

 

Da Polônia à Romênia

 

Em se tratando de diáspora polonesa, a tradição da Festa da Colheita vive há gerações também na Romênia. Em Nowy Sołoniec, na Bucovina, é um dos eventos anuais mais importantes para os poloneses locais. A celebração deste ano começou com uma missa de bênção das coroas de flores e da colheita, presidida pelo bispo Robert Chrząszcz, delegado da Conferência Episcopal Polonesa para o Cuidado Pastoral dos Emigrantes Poloneses. A Eucaristia foi uma ação de graças pela doação da terra, frutos do trabalho humano e mais um ano de vida para a comunidade local. A presença do bispo polonês também simbolizou o vínculo que une os poloneses da Bucovina à Igreja em sua terra natal.

 

Festa da Colheita sem agricultores na Alemanha

 

A força dessa tradição, no entanto, também é demonstrada na Alemanha. Não há agricultores na Missão Católica Polonesa em Koblenz, pois a maioria dos fiéis são migrantes econômicos. Apesar disso, todos os anos a Igreja exibe decorações da Festa da Colheita, e os fiéis rezam em agradecimento pela colheita. “Os poloneses têm uma crença profundamente enraizada de que devemos agradecer a Deus pela colheita da terra e pelas coisas boas que recebemos”, disse o Pe. Tomasz Świątek ao Vatican News.

 

Ele acrescenta que, embora os paroquianos não cultivem a terra, querem se conectar com os agricultores na Polônia desta forma: "eles querem que a Igreja seja decorada com enfeites da Festa da Colheita e que as orações dos fiéis incluam agradecimentos pela colheita deste ano". O exemplo de Koblenz demonstra que a gratidão pelo pão e pelos frutos da terra não termina ao deixar o campo, ou mesmo ao emigrar da Polônia. Para muitos, ela permanece parte de sua fé e um vínculo com aqueles que trabalham em solo polonês a cada ano.

 

Fonte: Vatican News

Fotógrafo: Reprodução de imagem Vatican News

 
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